terça-feira, 8 de agosto de 2017

Olá, Como Vai?

Tenho ido de trem e de metrô também. A noite não perturba mais, apenas ilumina as minhas ideias. O inverno esquenta a saudade. Tenho um piano, folgado, que não se toca. Em minhas veias correm sonhos e Whisky. Quando abro as torneiras não sai dinheiro, mas também gosto de água.  Tenho usado pouco as panelas para panelar. Tenho defendido os meus. Tenho aberto a camisa e o peito para o aprendizado. Tenho tolerado mais. Tenho saído menos. Tenho fé. Tenho certeza de que o mundo pode ser melhor. Porém, tenho medo. Outro dia conheci um músico pedindo esmola. Outro dia havia duas Luas no céu. Outro dia vivi dois dias em um dia. Voltei a usar All Star. Voltei a ouvir Punk. Voltei ler Veríssimo. Voltei a procurar Netuno a olho nu. Voltei olhar Netuno, nu. Abro portas e janelas todos os dias. Varro a casa. Queria ser astronauta novamente. Aprendi que a vida é mais veloz do que o clichê diz que é. Aprendi um pouco de alemão. Aprendi que as pessoas não apenas são iguais, como também são diferentes. Aprendi que o teu cheiro e o teu olhar nas pessoas por aí não são seus, são delas. Aprendi a tocar Summertime. Eu estou bem. Espero que esteja também.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sobre o Tempo Certo das Coisas

Tem gente que diz que não podemos chamar de certas as coisas certas que ocorrem no tempo errado. Tem gente que chama isso de azar. Eu chamo de "aventura".

Penso que não existem regras para o tempo das coisas: As certas não ocorrem sempre no tempo certo, mas a vida tende a ser difusa assim para que saibamos aproveitar com muito mais afinco e vigor a linda sinestesia e o doce privilégio de vivermos o certo ocorrendo no tempo certo. Para um humano mediano, sabemos, isso ocorre poucas vezes na vida. As coisas certas são simplesmente certas, mesmo que no tempo errado. Eu chamo isso de "pequenas memórias eternas".

E não podemos colocar a culpa no universo, não, não mesmo. Ele é uma grande Roleta Russa distribuindo as oportunidades, buscando abrir as nossas portas. Nós é que as vezes não estamos prontos para permiti-lo abri-las. Paciência... E a única coisa que compete a nós nesse espetáculo de aleatoriedades é cuidar para que nunca mais haja o tempo certo para as coisas erradas. Eu chamo isso de "perda de tempo".

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Poesia de Amor (Real/Oficial)

Pai com mãe.
Pai com mãe com eu.
Irmã
com pai com mãe
com eu.

Homem com mulher.
Mulher com homem com homem.
Homem com homem.
Homem com mulher com mulher com mulher com mulher.
Mulher.
Mulher com mulher com cachorro.
Com filho, com filhote.
Com irmão.
Com os parça.
Mulher com homem com filho com cachorro.
Com gato.
Com rato.
O homem e seus lagartos.

Carne.
Homus.
Húmus.
Homo.
Ôme.

Vocês viram
que tem gente
que até planta
mas não come?

sábado, 13 de maio de 2017

O Mundo

O mundo é cru.
Nu.
Bastam 30 minutinhos,
no fogo,
até dourar.
Seremos melhores.
Precisamos ser.

sábado, 6 de maio de 2017

Uma Breve Análise Sobre Todas as Redes

Perdemos o direito de ser diferentes, perdemos a ponta dos dedos, um pouco dos dentes, perdemos as horas, as cabeças, as razões, perdemos o que temos, literalmente. Perdemos o direito de ser da esquerda, perdemos os talheres, perdemos os caracteres, perdemos a noção do espaço que ocupam as emendas e nos campos, quase que de batalha, voltando à era feudal, os homens tem perdido suas rendas. O crack da bolsa, nas bolsas, nas ruas; Transeuntes atropelam gente nua nas calçadas diante do calor congelante do inverno paulistano - e ninguém dá a mínima quando as solas de cada sapato executivo estão sempre prestes a rasgar. 7 bilhões e 300 milhões de pessoas que se sentem só, com os fios presos aos ouvidos ligados às 220 fontes de entretenimento e cultura falsificada, nas massas das redes sociais, plásticas, que sustentam nossas fugas de nós mesmos e também de uns dos outros. É proibido andar na rua, já passou das 23h; Esperamos sempre pela luz no fim dos túneis do metrô, mas quando o mesmo sai do túnel precisa rapidamente voltar para a ríspida escuridão subterrânea pois o sistema nunca pode parar. Poderosos links nas nuvens tecem a rede mais veloz do mundo, cujo um único rompimento pode custar bilhões por segundo. É meu dever protegê-las. Um cão de guarda trajando sport chique. Mas do 6º andar, invejo os pássaros, como um cão qualquer.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Onde O Velho Espírito Dorme

Traga em si,
no peito,
os sonhos de criança
para que isso te mude
para que isso te molde
para que isso
novamente
te forme.

Traga em si
as memórias
e os segredos,
as ideias
e os ensejos,
os perfumes
do passado
de madeira
e de maneira
que os bons tempos
te reformem.

Traga,
por favor,
seu mundo
inteiro,
profundo,
certeiro,
ligeiro
e ensiforme.

Traga o que te trouxe
ao seu melhor momento.
Resgate em tuas lutas
os teus pensamentos.
Não fujas de mim.
Não evites o começo
por temer o fim.
E assim,
Acorde a todos com teus cantos
e dance a canção dos lobos
onde o velho espírito dorme.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O Ilusionista

No escuro
do escombro
que há em mim
o peito brilha,
pois culmino
fantasia
e produzo
esse clarão.

Bato palmas
para o ar
num novo truque
que ilude
a parte minha
cansada
do escuro
na imersão.

Pois sou o mago,
a platéia
e a magia.

O ilusionista,
o iludido
e a ilusão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Carta Para Meu Filho

Sei que com isso posso estar burlando algumas regras universais, mas gostaria de lhe dizer algumas coisas. Não sei em qual fase da vida está tendo contato com essa carta pela primeira vez. Dependendo dela você provavelmente irá ignorá-la. Mas pense em seu pai nesse momento como um amigo de 25 anos. Talvez ajude!

Filho, muitas vezes você irá pensar que eu e sua mãe sabemos todas as respostas para todas as coisas. Eu juro por Deus que enquanto eu puder tornar essa máxima verdadeira, eu farei, mas em algum momento você vai perceber que não, não sabemos todas as coisas. O importante é que você não tenha medo: Ninguém sabe de todas as coisas.

Quando você começar a sair de casa, seja pra escola, ou pra outra coisa qualquer, já vai começar a se deparar com a maior cadeia das nossas vidas: o tempo. Não podemos fugir disso, em nenhuma fase da vida. O tempo é real, avassalador e autoritário. Ele realmente manda. Mas a lição boa desse parágrafo, meu filho, é que você não deve ver o tempo como um inimigo. Quando você aprender a enxergá-lo como um cara que segue ordens universais e não pode parar o seu trabalho por nenhum segundo, vai perceber que na realidade ele até pode ser um bom amigo. Ah! isso vai ficar muito claro na primeira vez que você realmente precisar dele. O tempo, na real, é nosso amigo.

Muitos pais gostariam de ver seus filhos sorrindo. Quero que você sorria muita. Ria o máximo que puder. Quero que você diáriamente tenha aquelas gargalhadas de doer alguma coisa na barriga que nem sabemos o que é. Mas, cara, não tenha medo de chorar. Quando for a hora de chorar, simplesmente chore. Desmorone. Talvez quando eu tiver uns 50 anos e por um acaso ou ironia me deparar com você chorando, eu tente fazer de tudo pra impedir isso, mas me ignore. Seu pai com 25 anos lhe diz, chore. É um pouco irônico, mas isso vai te fazer dormir melhor.

Experimente o mundo com o pé embaixo! Não estou dizendo pra usar drogas até morrer, nem pra pular de um prédio para outro praticando Parkur, mas estou dizendo que você pode conhecer o que sentir vontade de conhecer: jogos, cidades, comidas. Acredito, meu filho, que viemos pra esse mundo com missões em duas etapas: primeiramente sonhamos e depois tornamos o máximo desses sonhos em realidade. Então sonhe, então realize. Temos liberdade para ser ousados.

Durma! Essa lição parece ser menos relevante do que as outras, mas acredite no seu jovem velho pai, não é. Durma sempre que puder. Quando começares à experimentar o mundo, em algum momento, vai se esquecer de dormir, seja por êxtase, seja por curiosidade... Isso é normal. Mas quando essas fases passarem, não deixe que nada estrague suas noites de sono. Não deixe que aqueles sonhos dos quais viemos para sonhar se tornem pesadelos. Durma, meu filho, durma. Isso pode tornar muitas tempestades em pequenos respingos.

Nunca, nunca, nunca se esqueça dos seus amigos. Esteja sempre colado neles. (Não vou te ensinar aqui como identificar os verdadeiros amigos, você conseguirá isso sozinho). Os amigos são como backups pra vida. Seja o backup deles também. É assim que funciona. Isso é muito sério filho, nunca, nunca, nunca fira um amigo. Nunca machuque um amigo. Fique à quilômetros de distância de qualquer coisa que possa machucar o seu amigo. Porque o rompimento de uma amizade tem poderes desastrosos, muitas vezes piores do que uma morte na família. Esse conselho é importante: cuide muito bem dos seus amigos!

Você certamente vai aprender a amar e certamente vai ter milhões de motivos pra se arrepender de amar. Mas NUNCA se arrependa. Apenas ame. Não se trata de um sentimento, se trata de um combustível para todo o universo. Ame. Filho, ame. O amor cura todas as coisas. O amor faz, de maneira quase transcendental, viajarmos para uma perfeição. Por mais que saibamos que perfeição não existe, a ilusão de perfeição causada pelo amor é tão grande que ela se torna real, não importa o que nos digam.

Muitas vezes os amores são rompidos bruscamente, sem um culpado aparente. Não posso te proteger disso: alguns amores, por N motivos, simplesmente se vão. E eles sempre deixam o vazio em si. Mas é agora que vem a lição mais importante de todas: lembre-se de todas as lições anteriores!

Ninguém sabe de todas as coisas. Nem você, nem eu, nem ninguém.

O tempo é seu amigo e seu aliado, deixe-o fazer seu implacável trabalho.

Chore, no limite do que houver para ser chorado. E sorria o máximo que puder, sem qualquer limite.

Experimente o mundo com o pé embaixo! Temos liberdade para ser ousados.

Durma.

Nunca se esqueça dos seus amigos. E nunca os fira!

E enfim, novamente, ame.

De seu pai, Vinícius Nunes Franco, em 11 de Janeiro de 2017.

domingo, 8 de janeiro de 2017

As Crônicas de Gelo e Fogo-Santo

Nós amamos quem amamos, sim, mas sobretudo, nós amamos o amor. As despedidas, principalmente contra nossa concordância, são muito dolorosas e na maioria das vezes lentas, porque elas não se resumem apenas ao fim de algo marcante que vivemos: nelas também reside a necessidade de nos livrar do que sobra de amor em nós. E isso sim, definitivamente, representa o fim.

É um processo tão difícil quanto a desintoxicação por drogas. O corpo sente em muitos níveis. Das tremedeiras às tonturas. Às vezes a falta de ar é tanta que não nos deixa dormir. Recorremos ao fogo-santo. E quando dormimos, muitas vezes, nosso subcosciente entra na briga contra o cosciente, por não compreender porque jogar todo o nosso ouro pela janela. Essa guerra nos acorda. Recorremos ao gelo.

Mas sempre tem aquele velho clichê de que a vida é cíclica, de que a despedida nos taxia novamente na pista para a decolagem. Quando nos damos conta de que na realidade estamos amando apenas um amor e que de amores o mundo está tão cheio, teoricamente estamos prontos para começar a limpeza dos nossos motores. Depois é só recarregar com combustíveis. Recorremos ao fogo-santo com gelo. Limão vai bem. E vida que segue.