quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sobre o Tempo Certo das Coisas

Tem gente que diz que não podemos chamar de certas as coisas certas que ocorrem no tempo errado. Tem gente que chama isso de azar. Eu chamo de "aventura".

Penso que não existem regras para o tempo das coisas: As certas não ocorrem sempre no tempo certo, mas a vida tende a ser difusa assim para que saibamos aproveitar com muito mais afinco e vigor a linda sinestesia e o doce privilégio de vivermos o certo ocorrendo no tempo certo. Para um humano mediano, sabemos, isso ocorre poucas vezes na vida. As coisas certas são simplesmente certas, mesmo que no tempo errado. Eu chamo isso de "pequenas memórias eternas".

E não podemos colocar a culpa no universo, não, não mesmo. Ele é uma grande Roleta Russa distribuindo as oportunidades, buscando abrir as nossas portas. Nós é que as vezes não estamos prontos para permiti-lo abri-las. Paciência... E a única coisa que compete a nós nesse espetáculo de aleatoriedades é cuidar para que nunca mais haja o tempo certo para as coisas erradas. Eu chamo isso de "perda de tempo".

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Poesia de Amor (Real/Oficial)

Pai com mãe.
Pai com mãe com eu.
Irmã
com pai com mãe
com eu.

Homem com mulher.
Mulher com homem com homem.
Homem com homem.
Homem com mulher com mulher com mulher com mulher.
Mulher.
Mulher com mulher com cachorro.
Com filho, com filhote.
Com irmão.
Com os parça.
Mulher com homem com filho com cachorro.
Com gato.
Com rato.
O homem e seus lagartos.

Carne.
Homus.
Húmus.
Homo.
Ôme.

Vocês viram
que tem gente
que até planta
mas não come?

sábado, 13 de maio de 2017

O Mundo

O mundo é cru.
Nu.
Bastam 30 minutinhos,
no fogo,
até dourar.
Seremos melhores.
Precisamos ser.

sábado, 6 de maio de 2017

Uma Breve Análise Sobre Todas as Redes

Perdemos o direito de ser diferentes, perdemos a ponta dos dedos, um pouco dos dentes, perdemos as horas, as cabeças, as razões, perdemos o que temos, literalmente. Perdemos o direito de ser da esquerda, perdemos os talheres, perdemos os caracteres, perdemos a noção do espaço que ocupam as emendas e nos campos, quase que de batalha, voltando à era feudal, os homens tem perdido suas rendas. O crack da bolsa, nas bolsas, nas ruas; Transeuntes atropelam gente nua nas calçadas diante do calor congelante do inverno paulistano - e ninguém dá a mínima quando as solas de cada sapato executivo estão sempre prestes a rasgar. 7 bilhões e 300 milhões de pessoas que se sentem só, com os fios presos aos ouvidos ligados às 220 fontes de entretenimento e cultura falsificada, nas massas das redes sociais, plásticas, que sustentam nossas fugas de nós mesmos e também de uns dos outros. É proibido andar na rua, já passou das 23h; Esperamos sempre pela luz no fim dos túneis do metrô, mas quando o mesmo sai do túnel precisa rapidamente voltar para a ríspida escuridão subterrânea pois o sistema nunca pode parar. Poderosos links nas nuvens tecem a rede mais veloz do mundo, cujo um único rompimento pode custar bilhões por segundo. É meu dever protegê-las. Um cão de guarda trajando sport chique. Mas do 6º andar, invejo os pássaros, como um cão qualquer.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Onde O Velho Espírito Dorme

Traga em si,
no peito,
os sonhos de criança
para que isso te mude
para que isso te molde
para que isso
novamente
te forme.

Traga em si
as memórias
e os segredos,
as ideias
e os ensejos,
os perfumes
do passado
de madeira
e de maneira
que os bons tempos
te reformem.

Traga,
por favor,
seu mundo
inteiro,
profundo,
certeiro,
ligeiro
e ensiforme.

Traga o que te trouxe
ao seu melhor momento.
Resgate em tuas lutas
os teus pensamentos.
Não fujas de mim.
Não evites o começo
por temer o fim.
E assim,
Acorde a todos com teus cantos
e dance a canção dos lobos
onde o velho espírito dorme.