quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Sangue Valente

Latente
Lanterna
Batente

Lembro-me com clareza
Da íris, das cores

Latente
Silhueta que não se apaga
Displicentemente
Nos meus olhos fechados
Na noite

Semblante
Latente
Na mente

E não minto,
Sinto-me quente
No sonho lúcido
Latente
Da posse
À distancia
Pro poço

Se fosse uma estrada eu seguia
Arrastado como serpente
Pra voltar do poço à posse
Dos olhos da moça, da lente
Dos olhos que vejo latentes
De olhos fechados,
Na mente

Por isso estou acordado
De longe
Latente
Protejo teus olhos cansados
Na noite
Na mente
Pois sou teu vigia e soldado,
De sangue valente.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sem Fim

A chuva não termina só porque entramos em casa, isso é verdade.

Mas sabemos também que o Sol não se apaga quando começa o eclipse. A música não para quando abaixamos o volume. Um vaga-lume não deixa de piscar durante o dia. A energia ainda existe quando apagamos a luz. As águas dos rios não se vão embora pra sempre.  O tempo é implacável mesmo que finde a bateria do relógio.

O coração nunca para de bater quando dormimos. E o nosso sonho não pode terminar quando o despertador tocar.

sábado, 3 de setembro de 2016

Contra-Tempo

Queira entalhar na alma 
uma guitarra encantada, 
que toque sozinha 
os acordes do teu peito. 

Queira descansar 
nos confins do tempo, 
deleitar-se entre os sons e sonhos 
que carregas aí dentro. 

Queira apenas aguardar 
a próxima jornada, 
a próxima labuta, 
o próximo voar 
e também o próximo tormento. 

Em descompasso, leve a vida,
não porque seja ferida, 
mas pra não se entediar,
em nenhum momento. 

E no fim, 
não mais se assuste,
nem mais forje
o teu peito em ferro e aço.

Lembre-se por mim
que a vida é a soma 
de muitos infinitos 
com começo, meio e fim,
ligados entre nós e laços,
e que o contra-tempo
é o real tempo
do descompasso.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O Truque

Foste em mim,
na parte boa
da memória,
uma verdade
que se mete
em compaixão.

Foste o sonho
que distante
da história
me ausentava
do real
e da noção.

Foste o truque
que o mago
sempre explora,
o coelho
que escapa
da cartola,
a magia
que no público
aflora
quando espanto
vale mais
do que emoção.

Mas eu não busco
só o lado
fantasia,
que das mentiras
tenta-se
extrair razão.

O que procuro
é aquele lado
(in)verossímil,
realidade
que se esconde
na ilusão.