sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Infinito Absurdo Eterno

Não escondo mais o monstro que sinto
e não finjo mais sorrisos que espero.
Não mais deixo de chorar com afinco
toda dor que me enche o peito descoberto.
Não protejo mais verdades que omito
e não nego mais o medo do teu berro.
Não me esqueço mais dos sonhos esquecidos
e nem deixo de assumir quando à ti erro.
Tenho medo do escuro em que vivo,
mesmo que digam que estou liberto,
não consigo mais pensar novos caminhos
se o velho, como um corte, permanece aberto.
Mas com pesar, protejo-me do fim,
cobiçando respirar, boquiaberto,
desejando ser de novo absoluto,
absurdo,
em meus planos, novos sonhos que desperto:
Deixar para trás meu genuíno passado ferido,
ficando apenas com um lindo futuro incerto,
pois sei,
que ainda há espaço para o infinito,
bem como ainda há tempo para o eterno.

Solidão

Solidão não é como dizem,
não menos que seu pendor.
Se hoje tornei-me guerreiro
protejo de todo torpor
os sonhos que tenho em meio
a tudo o que me trouxe cor.
Por isso, pareço vazio,
distante de um outro alvor
e sei que é difícil ver sol
em meu olhar depressor,
mas sei também como lei
da vida de um omissor:
jamais estarei sozinho
mesmo sendo gladiador,
pois quando sou a espada
também posso ser a dor.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Ressaca



Antecedes a tormenta,
Bem como provocas também;
Não sei ao certo se vens antes ou depois dos meus vinténs:
Sabes acalmar-me, mas transbordar-me consegues bem.
Torna-me calmaria, torna-me maremoto...

Faz do oceano, céu.

Livra-me do óbito de cada dia,
Faz-me em tua órbita eternamente deleitar.