domingo, 29 de maio de 2016

Amor

Cuidado,
estou armado!
Mesmo amando,
mesmo à medo,
mesmo fugindo do eu mesmo
e também mesmo
não contente
e não querendo,
atiro à esmo.

E, penso, não sou tão confuso,
acho-me comum às vezes,
apenas perco-me no sonho
de um dia ter-me completo
ao ter-te.

Acho assombroso
a ideia de qualquer civilização
ter-se construída,
ter-se monumentalizada,
mesmo com tanta gente armada,
mesmo com tanta gente amando,
mesmo com tanto amor à esmo.

Talvez seja porque
diante de tanta bala perdida
encontramos-nos.