domingo, 3 de abril de 2016

Tornado

Quando o céu escurece
as pessoas já temem
a mim
à tarde.

Por onde ando, retalhos meus vasculham o mundo
deixando tudo novamente fora do lugar;
Não é mundo que gira ao meu redor,
antes que assim pense,
mas eu que o faço girar
e sem querer! isso dói, isso arde.

Quando o céu escurece
lampejos de mim esvanecem
dando corda a um ser que sempre dorme
mas que as vezes acorda
quando o céu escurece.
Quando o céu escurece,
tocam as sirenes, começa o alarde!

Trovões apavorantes
deixam minha alma
na direção das ruas
deixam minhas armas
na direção das suas
e na direção das luas
roubam de nós a noite.
Trovões apavorantes
não deixam as crianças dormirem
inevitavelmente esquecendo-se
de que sou criança também
entre os bons e os covardes.

Mas o céu, na verdade,
nunca tem luz, afinal.
É o Sol que o faz e o Sol quem se vai.
Às vezes, quando tentam tapar o sol com peneira, acontece
E então aí o céu escurece.

Por favor,
traga-me sempre a luz
e não a escuridão.
Gostaria muito de ter evitado
ser objeto da fúria
antes de o ter me tornado.