sábado, 19 de setembro de 2015

Coisas Fora do Lugar

A vida tem sentido:
vai pra frente
inconsequente e assustadora.
Tenho a sentido,
e em sua epítome mais pura
és a doença e também és a cura
do que se consome e se colore
as horas vãs dos meus dias de folga.
As desventuras desvendam as coisas fora do lugar
nos nossos templos, nos nossos termos, nos nossos tempos de calma
a alma, clara, rara, que se cede
à um canto que se perde
na voz rouca pela tosse,
o peito cheio em paz e guerra
na penumbra noturnal que nunca 
cessa, 
às vezes nem ao raiar do dia.
Retrato da batalha interna, intenta
sonhos vívidos debaixo da luz do sol.
O violão de cordas novas eterniza acordes loucos
e faz com que o músico acorde, louco,
ou talvez durma.
Pó na calçada batendo meu portão,
tocando minha campainha,
pedinte seco para entrar.
Varro.
Não suporto coisas fora do lugar.
As desventuras às desvendam
o tempo todo nos meus dias
e eu corro contra o fim das férias
pra que tudo fique certo
pra que ao fim da tarde
eu sente, esperto,
e suspire satisfeito
por ter deixado tudo em ordem.
Por enquanto, apenas labuta.
Clamo para o fim das desventuras
que permutam e rodeiam os meus dias.
E eu ainda quero aquela calma,
quero lavar a alma
e talvez varrer,
pois como você já deve saber,
não suporto as coisas fora do lugar.