sábado, 9 de maio de 2015

Furacão

Veio como um bandido
na surdina,
na calada,
na colina.

Balançou-me como se balança uma pena.
Uma pena.

Como balançava-me quando criança
nos pneus amarrados em árvores
nas redes, nas sedes,
nos medos de escuro.

E como bandido, levara-me embora
um pouco da minha alma,
do meu riso.
Um pouco do meu sonho, também bandido,
de ser escrivão vão maior do que sou.

Roubei-lhe algo também;

E depois,
foi embora
a quilômetros por hora
bagunçando a aurora,
calada,
na colina,
na surdina,
severamente genuína.

Balancei um furacão.

O noticiário aponta
a ponta do tornado
e o vento apronta as malas:
Viras-te cíclico.
Sonho cínico
que ao sul regressará.

Ei,

Se pretendes chegar às 7,
às 6 lá estarei.

Devolver-te-ei.