quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Reincidência

E novamente,
espreito o amanhecer
como um que balança a alma
dia após dia
esperando adormecer.

Peço desculpas por clamar
- deliberadamente -
a falha humana reincidente
que destrói
pouco a pouco
o meu ser.


Me perdoe
por torrar as paciências
de qualquer um
que não detenhas
o que sinto,
em sua fé ou sua ciência,
em tudo o que lhe pode ver.


Sinto muito
por conter em mim um monstro
sutilmente feroz
que corrompe um mundo sob minha pele
sem que ninguém possa saber.


Essa,
é mais uma
das minhas noites
de penumbra clara,
de silêncio barulhento,
de vazio lotado
de mim,
cansado,
lento.


Coração,
este meu,
me perdoe
por não dar-te paz.
Mas não vingue-se,
por favor,
apenas bata depressa
e me faça viver.

Já que faz-me acordado
deixe-me envidraçado
de vida e luz
para o dia próximo que vai nascer.


...


Mudo de assunto, sim
pois a noite é longa:
Noutra dessas, também sonhei com o céu
assim como todos sonham, vez ou outra.
Vi flores, vi aves, vi pessoas que há muito não via,
num clichê aberto de paraíso, desses que se vende na TV.
Foi um sonho bom.
Queria levar todos que amo comigo
para este mundo de sonho, sem perigo...
Mas não é sempre que durmo.