terça-feira, 16 de setembro de 2014

Insônia

Diante das memórias
permaneço lasso
ao tempo e a rotina
que desatinam meu cansaço.

A vida me desgasta,
mas não sinto sonolência.

Dentro de mim,
não estou
e quando estou
não sou o que sou,
sou só reminiscência.

Sou o mito que se arrasta pela noite
esperando que essa calma me acoite
pelo medo e pela inocência.

Sentimento adoecido
que desperto à madrugada
para não passar em claro a noite, só,
no escuro do meu quarto e da minha alma.

Diante das memórias, vejo a guerra.
Na janela da história, o medo berra.
Quando sinto a vitória, o sonho erra
e a insônia comemora,
pois na minha cama mora
e me corta como serra.

Não dói mais,
mas o barulho do motor
não me deixa dormir.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Fim dos Tempos

Clamo pelo fim dos tempos,
não como um louco qualquer,
mas como um louco cansado
dos tempos que deitam-me em pé.

Clamo pelo fim dos tempos.
Estes precisam ter fim!
É tempo pra fugir dos outros,
é tempo pra fugir de mim.

Clamo pelo fim dos tempos,
daquele a me conduzir:
o fim do tempo a chegar;
o fim do tempo a partir.

Clamo pelo fim dos tempos
criados no modo humano.
Livro de todo tempo,
livro de todo plano,
pois quanto do tempo houver
teremos do tempo a perder,
perdemos sem evitar
perdemos sem perceber.
Então, peço o fim dos tempos
mas não quero o fim de tudo.
Acabem com o relógio,
mas deixem viver o mundo.