quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Aurora Distante

Queria que a noite me dissolvesse,
ao menos a parte que não adormece,
pra numa manhã de um dia desses
não acordar com o que me padece.

Queria que a lua amortecesse
o pesadelo que não envelhece.
Que a cada dia eu o esquecesse 
em meio aos sonhos que ela guarnece.

Queria que o dia, enfim, terminasse:
- Que cedo ou tarde o mesmo cesse!
Mas, mesmo se o sol anoitecesse,
é o pensamento que me escurece.

Queria que o céu se acendesse
e de hora pr'outra, a luz trouxesse.
Que o amanhã transparecesse
um novo céu que me obedece.

Queria que a dia me amortecesse.
Queria que a lua me acendesse.
Queria que o céu me dissolvesse.
Queria que a noite, emfim, terminasse.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A Lua Tem Medo do Escuro

Já não me cabes mais na noite.

Noutro corte que detenho
ou noutra fonte dos meus sonhos
já não cabes mais a fortaleza
que sempre me protegera,
ano após ano,
do medo da penumbra.

Quando eu era mais efebo
via em ti um bom refúgio.
És a luz que guia as ruas
do infinito e do profundo;
és a lua em meu viver
no meu olhar e no meu mundo.

Distante, num platonismo cego
iluminaras, mesmo sem saber,
todo pesadelo encobrido por um ego
ferido, calado, amordaçado...
iluminaras meu medo do escuro
meu segredo mais puro
minha fuga de mim mesmo
pra qualquer lugar além do muro.

Hoje, lua, te conheço!
Em teu solo há me deleito
e em teu peito
meu ouvido encontrara medo,
talvez um outro, talvez o mesmo
que em mim por muito porfiara.

...Nobre luz, iluminando cada canto das cidades;
Teto dos sem teto
nas ruas da amargura, como eu.
Adotara-me como mais um sonho apanhado,
filtrado em uma cama qualquer.
Hoje, lua, te conheço!
e mesmo sendo-te a rainha dessa noite
vejo seus olhos radiantes com a luz do dia,
numa parte do (uni)verso que antes jamais veria.
És a lua e tens o mesmo medo da penumbra
que me encontra na calada das verdades.

Te conheço, lua, hoje!
Sou eclipse, meu prazer!
Deixe a terra acreditar
que algum mal vim te fazer.
Que tua luz vim te roubar,
que por detrás de mim vim te esconder.
Pois existe uma verdade
que povo algum poderá ver:
venho aos poucos, na surdina
refletir o que me der,
uso o meu corpo e tua retina
pra tua luz te devolver.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Vida Eterna

Seu carro e sua casa
vão ficar por aqui,
quando você partir.
Mas se fez um verso ou dois,
é você quem fica.

domingo, 19 de maio de 2013

Como Teria Sido?


Certas vezes, penso em como teria sido. Assim, do nada. Somente penso... Posso dar exemplos, alguns bastante superficiais, apenas para amortecer a queda de minha ideia sobre todas as coisas do mundo: Como teria sido a copa de 82 se o Rossi se machucasse ou passasse mal, ou, sei lá, morresse às vésperas da partida contra a nossa seleção? Penso em como teria sido se o homem não houvesse chegado à lua, se o automóvel jamais fosse inventado ou se Hiroshima jamais houvesse se devastado pela bomba. Falando nisso, às vezes penso em como teria sido se Hitler jamais nascesse. E se nascesse, como teria sido se o fosse judeu? Ou negro? Ou gay? Às vezes penso cá comigo: como teria sido se Ayrton não corresse em Imola ou se o avião dos Mamonas jamais se perdesse. Como teria sido se o violão jamais virasse a guitarra, se a máquina de contar não se tornasse o computador, se meu diário não virasse este blog e se a vida real não se tornasse o Facebook. Como teria sido? Fico pensando ás vezes, como teria sido se eu não nascesse aqui, se eu nascesse em Uganda ou no Panamá. Como teria sido se minha mãe fosse Cecília Meireles ou se meu pai fosse Bill Clinton? Como teria sido se ao invés de faculdade, eu fizesse outra coisa qualquer, sei lá, eu fosse barbeiro ou jogador de bocha ou contador de estrelas ou escritor...? Como? Como teria sido? Ás vezes, penso em como teria sido. Ás vezes, sonho acordado, sonho lúcido, sonho contigo.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Pequeno Conselho Gratuito e Humorado

Apenas pense menos nisso que te aflige, ou pense nada nisso se puder! Faça como eu: Não penso mais que vou necessariamente morrer sozinho, apenas acho que agora é momento de ficar sozinho. É divertido! Mas não duvido que haja em algum lugar por aí alguém que possa fazer meu mundo girar. O fato é que tudo é imprevisível demais, a vida é toda estranha e não-linear. Não podemos basear o futuro em qualquer experiência do passado. Pois como sempre digo - eu realmente sempre digo! - : mais vale estar munido de um lindo futuro incerto do que um genuíno passado ferido. O amanhã sempre tem o poder de nos surpreender... Então aceite-o e surpreenda-se!


Eu se nada dessa besteira toda funcionar, sei de algo capaz de fazer tudo melhorar: Bacon!!!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Verve

Sei que a vida é curta.
Mas vai que essa luta
mesmo que tão dura
de algum modo nos conserve?

Sei que a luta é dura.
Mas vai que uma vitória
mesmo que sem cura
na memória nos preserve?

Sei que luto pouco.
Mas vai que eu fique louco
a ponto de ver parte
desse sonho que nos ferve?

Sei que não sou louco.
Mas vai que eu seja um pouco
e tudo o que sei
na verdade não nos serve?

E quando eu digo nos
estou mesmo a te incluir,
pois diante da loucura
começamos a sorrir - o que comprova! - :
fazes parte desta verve.

domingo, 14 de abril de 2013

A Dica

Afaste-se,
fuja para o alto da montanha.
Dou-lhe a dica, por não ser completo monstro
mas sou monstro só além da própria dica...
fuja,
como rei que abdica.
como o resto do mundo
que nunca fica.

Mas se tens em ti
o mesmo sonho bandido
então renegue os conselhos
de qualquer desconhecido!
Aceite minha voz que retifica
traga sua alma que medica
porque dentro de mim
há um monstro, sim
porém um filhote
que por ti, suplica.

quinta-feira, 21 de março de 2013

O Destino


Foi quando num belo dia fiquei pra trás. Simplesmente. Do nada. Parei de acelerar e fui ficando pra trás. Vi-me distanciando do que a pouco almejava, do que quase tive nas mãos... assim, ficando para trás. Muitos me ultrapassavam e às pressas indagavam se havia algo errado. Não compreendiam o porquê de eu estar perdendo a velocidade, de não seguir acompanhando o fluxo, de ser ultrapassado por uma kombi cheia de freiras. “Você está ficando para trás!”, diziam eles. E eu fui parando, parando, parando... parei. Contornei a rotatória e os buracos da vida, fiz o balão (um desses bem bonitos e coloridos). Voei. Voltei. E na contra-mão de todos, comecei tudo de novo.

E eles seguem dizendo à todos “aquele maluco está ficando pra trás!”. 
E eu sigo pensando comigo “esses malucos estão indo para o lado errado”.

sábado, 16 de março de 2013

Sois Sóis Sós


Lá fora, por detrás das nuvens há um astro rei. Mas, honestamente, não sei porquê o chamam de rei afinal. Dizem que ele é quem dita quando começa e termina o dia, quando há ou não há a luz sobre nós. E o calendário humano o respeita e o obedece como se de fato fossem suas ordens que denotassem o destino da humanidade. Mas a realidade é que ele esta lá, sempre imóvel. Sempre intacto.  Sempre distante. Sempre calado... Talvez a humanidade não tivesse ao certo notado que não é o Sol quem dita quando o começa e quando termina o dia e pois sim, quem executa essa tarefa é o próprio peneta Terra, com seu vivaz movimento rotativo eterno. O poder está em cada um dos planetas. A vida está em cada um dos planetas. Os verdadeiros reis são cada um dos planetas. Reis de seus próprios eixos. Reis de si.

É triste ter toda a energia voltada nos elementos errados da vida. Mas o mundo esta cercado de regras carcerárias, nas ideias e nos conceitos. Fugo-me, em estranha válvula de escape que por mim próprio foi desenvolvida. Mas olho pela janela e vejo muitas jovens pessoas estagnadas, que parecem perecer cedo demais. E de fato perecem. No interior das pessoas, vivem os mais belos planetas do universo... Mas todas elas continuam buscando ser Sóis. Escravas de seus próprios eixos. Escravas de si.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O Muro de Março

O frio de agora
tocara minha pele
e trocara o que outrora
queimava em mim na aurora
de um calor que me repele.

E de surpresa trouxera
consigo as lembranças de um ex-mundo
Na memória, em qualquer cantinho imundo.

E sinto, tenho um tanto de medo
E cedo, temo um tanto de tudo
E digo, tento mudar o enredo
E fito, tinto um novo futuro.

Pois de sonhos, meu mundo está repleto,
mas os planos, metas e contos,
jogo todos para o mesmo ponto,
uma interrogação para o além-muro.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Roteirista

Espero que me compreendas,
saibas que sou novo
nessa arte de direcionar.

Era para ser-te estrela neste filme,
mas tornei-te Lua.
Ninguém jamais chegara perto de uma estrela,
mas sendo Lua posso incansavelmente te olhar.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Randômico Eterno

As pessoas são diferentes. As pessoas fazem coisas diferentes. De maneiras diferentes. E o mais interessante é que as pessoas mudam... as pessoas mudam o tempo todo. As pessoas nunca são hoje o que foram outrora e outrora não eram o que eram em outrora ao quadrado. O universo é dinâmico. Tudo é randômico. E vivemos eternamente no epicentro do tempo infinito. 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Lado Renegado


Hoje eu não quero escrever. Deveras cansativo me é ter de recorrer a essa prática cada simples vez em que me perco. Sim, confesso, estou mais uma vez perdido. Um pouco. Precisando colocar alguns móveis e ideias no lugar, mas farei diferente dessa vez: hoje eu não quero escrever. Compreendo que esse é o papel do escritor, para encontrar-se dentro de si, bem como também fazer com que suas palavras encontrem outrem dentro de outrem. Tal qual se faz a função do músico com seus acordes, tal qual se faz a função do padeiro com seus pães. Mas a realidade, penso, talvez eu não seja um escritor tão bom – ou nem sequer chegue a ser um - porque essa noite eu não quero escrever. Dentro de mim, saliento uma existência afã, mas cansada de ser ricocheteada dia após dia. Essa alma tem tanto a dizer, mas tampouco consegue...  Por isso não direi nada! E nem quero escrever! Deixo esta virtude à quem sabe. Saboreio as palavras das pessoas do Pessoa. Sintetizo suas ideias loucas. Sintonizo com as minhas, numa boa. É o que eu preciso para me reencontrar. Estou perdido, mas não quero escrever. Não mesmo. Não por essa razão. Não por você. Nem estou escrevendo agora. Jogue esse texto fora.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Universo Avesso

Abri os olhos pela primeira vez. Em dois ou três segundos tive a consciência de que havia despertado. Minha mente parecia vagar por aí, sem muita sagacidade, apenas mantendo-se ocupada, brincando com o vazio. Tentei levantar-me em um primeiro momento e dei-me conta de que estava fraco. Minha cabeça parecia pesada, meus braços pareciam rígidos. Por um instante, resolvi adiar o esforço físico e parti um pouco para o mental. Foi quando fui pego por uma aterrorizante surpresa: eu não consegui me lembrar do que acontecera na noite anterior. Olhei ao meu redor, tudo parecia diferente e fora do lugar. Luzes piscavam nas paredes vermelhas, garrafas de cerveja no chão. A guitarra estava suja, fiel escudeira de outrora encostada em um canto qualquer. Como pude deixar que alguém fizesse isso com ela?! Era como se aquele aposento não fosse o meu, embora estruturalmente eu fosse plenamente capaz de reconhecê-lo. Quando finalmente pude me levantar, enfrentando a gravidade assombrosa causada pela dor de cabeça, notei que vestia apenas uma cueca – que por sinal não me lembrava de ter comprado. Modelo bem diferente das que eu estava acostumado a usar, o que a princípio causou-me algum espanto, mas no fim das contas gostei muito dela! Eu poderia cortar esta parte do texto, mas não o farei. Sai do meu quarto e antes de chegar ao banheiro, obrigatoriamente tive que passar pela cozinha. Lá, quase despenquei ao chão quando vi que algo definitivamente estranho estava realmente acontecendo. Todos os móveis eram diferentes. Posições, formas, tamanhos. Tudo fora do lugar – ou melhor, em um novo lugar. O cheiro de madeira nova ainda exalava... Aquilo também me agradara, embora a ideia de todos os móveis anteriores terem sumido misteriosamente não me cansaram a voracidade do que me consumia, o medo de que eu estava perdidamente louco por ali. Avancei com passos de um bebê aprendendo a caminhar, observando com um pouco mais de atenção todas aquelas coisas que não pareciam ser minhas. Passei desse estágio, ainda incrédulo. Quando cheguei ao banheiro, outro susto quase que inimaginável: minha barba... Estava enorme! Meu cabelo, ríspido, violentamente grande. Olhos cansados, murchos. Toquei minha pele, meus pelos, meu lábio. Olhar atento sinuosamente se perdendo em meu próprio reflexo. Aquele homem, machucado pela vida, era realmente eu.  “Por quanto tempo dormi?!” latente pergunta se fazia e refazia dentro de mim. “Por quanto tempo sonhei?!”. Foi quando, distante, o sino de um aparelho telefônico soou. A música que o mesmo reproduzia, me era bastante agradável, mesmo que parecesse coisa nova para minha discoteca. Assustei-me quando notei que aquele som corria em meu próprio celular. Aquela canção era de fato das minhas! Mas antes que pudera atentar-me melhor à isso, as intermináveis surpresas do dia continuavam. No visor do aparelho, li um nome, mesmo sendo um tanto familiar, como se fosse pela primeira vez. Eu não sabia exatamente de quem se tratava, mas mesmo com certo receio do que viria depois, atendi. Não disse nada, apenas aguardei pela fala do outro lado da linha:
- Nem abri meus olhos ainda, mas meus ouvidos já estão inquietos esperando pela sua voz.

Era você. Libertando-me do coma que vivi, sempre acordado.


Eu sei que nunca havia tocado nesse assunto antes. Não me sinto bem quando penso no buraco que existe na linha do tempo da minha vida. Mas penso que você merece saber exatamente como foi o dia em que abri os olhos pela primeira vez.

domingo, 13 de janeiro de 2013

A Porta

Quando o inventor da porta tornou-se de fato inventor da porta, com certeza o fez com o objetivo de fechar seu recinto, seu lar ou sua caverna. A porta veio para selar o lado de dentro e separar o lado de fora. Mas tenho plena certeza que em tal ocasião mal saberia este sujeito inventor de porta que seu rebento estaria se tornando à humanidade o mais nobre utensilio da vida. Hoje, cada um de nós vemos muitas portas se fecharem todos os dias, mas mora exclusivamente dentro de cada pequeno coração o poder de abri-las. E é essa a ação mais importante, o momento da chegada, o momento da partida... Quando o inventor da porta de fato inventou a porta, o fez para fechar, mas nós devemos usá-las para abrir. Abra-as. E quando alguém lhe trancar na cara, abra outra. Ok, quando machucar-se lá dentro, pode fechá-la. Aposto que deixará o inventor da porta feliz onde quer que ele esteja. Então feche. Mas abra outra! Sempre abra mais uma. Sempre. Entenda que mais vale estar munido de um lindo futuro incerto do que um genuíno passado ferido.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Rosto


Esta estrada é agora a minha única amiga. Ela me acolhe em suas retas e curvas. Mas não importa quanto tempo eu fique e trafegue, ela nunca saberá o meu nome. E eu estou muito longe de casa agora. 

O calor já não tocara mais minhas costas e todas aquelas coloridas nuvens no céu voltaram a ser negras. Nenhuma dessas pessoas que vi permaneciam com a mesma aparência de ontem e ninguém aqui sabe o meu nome. Ah, eu estou muito longe de casa agora. Sim, eu estou muito longe de casa.

Nesta carta, em cada sílaba ou cada centímetro de papel, espero despejar um pouco do que me condenas. Desejo me livrar desses pensamentos confusos que abraçaram minha noite inteira. Você não precisa saber o meu nome, nem de onde vim, nem pra onde vou. Mas saiba que estou muito longe de casa agora.

Retomei a estrada, mesmo que ainda sem destino. Apenas sigo um fluxo de carros loucos presos ao chão, todos eles contrastando-se com a pintura criada pelo fluxo de ideias loucas soltas pelo ar. Dentre tais devaneios, sempre há o mesmo rosto que me vaga, me interpela, me extrapola, me invade. Pensava ter deixado essa imagem no meu quarto, mas ela esta aqui comigo, por mais que eu esteja muito longe de casa agora. E é bem provável que ela saiba o meu nome.

Talvez eu devesse voltar. Talvez eu devesse perguntá-la. Qual é o meu nome, afinal? Por enquanto, ilusão.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Entre Janelas (ou por elas)


26 de Dezembro


Hoje, trocaram a janela do meu quarto. Fizeram uma bagunça para tal, um rombo na minha parede, destruindo a pintura e as ideias de um universo meu que permanecia intacto por anos. Por mais que a janela anterior tivesse meio século de história, foi por além dela que eu vi tantos luares, ou vivi tantos solos de guitarra. Tinha um aspecto antigo, mas eu não ligava, até gostava dela por isso. Mas ela estava cansada. Rígida madeira de meio século, apanhando tantos sonhos para tantos fluxos – de dentro pra fora, de fora pra dentro. Vão vívido entre todas as coisas da minha vida (coisas todas estas que pretendo esconder do mundo) e o mundo propriamente dito. Mas me trocaram a janela. Desnortearam a pintura e as ideias que me guardam.


02 de Janeiro


Trocaram a janela do meu quarto. Ainda bem que o fizeram. Foi chegado o momento certo. Creio que todos nós, entre paredes e pessoas, precisamos de novas janelas. Sempre. Jamais atravessara a janela anterior, não por medo, mas porque a mesma me aprisionara em grades e durante muito tempo, mantive-me unicamente do lado de dentro. Não que eu pretenda utilizar esta nova janela como porta, mas cabe-me um sutil conforto saber que poderia se necessário fosse. Sei que antiga não fazia por mal e inclusive tenho de fato muito história pra contar sobra, de tantas e tantas noites em que foste ela minha fonte de oxigênio e vida, mas (poxa!) foi chegado o momento. Trocaram minha janela. E hoje estou feliz, posto que sinto o cheiro da madeira nova, sinto o cheiro do verniz que lhe carrega por sobre, sinto o cheiro de um novo ar, de um novo ano... e as folhas desta janela entreaberta se entrelaçam com as folhas de uma nobre árvore, lá fora, me é fácil ver daqui. Mas o mais interessante sobre esta janela nova é que algo permanecesse igual... Ainda posso ter a Lua como se ela coubesse inteira aqui dentro! E, correndo o risco de parecer louco, penso que uma parte dela eu realmente tenho cá comigo: a parte da luz.