sábado, 13 de agosto de 2011

Firewall

Hoje pela manha, vi-me transeunte em meus pensares. Matutara alguns porquês, dos quais parte ainda não ostentam nem um 'porque sim' ou 'porque não' como resposta. Estático, permaneci sob lençóis. A verdade  é que não me cabe ideia em mente, um bom motivo para cada ser humano criar um forte exército - como um firewall - findando proteger-se. E se não bastasse, logo após, eles discutem entre si quem fez o melhor exército, o mais forte. Quem está mais capacitado para suportar um bombardeio, ou para bombardear. E as discussões acirram, e os nervos enervam-se, e bombas caem. Mas e os inocentes? Você devia saber que em cada ser humano, há sempre um lado militar, mas há também um outro lado, o civil. E devia saber também que morrendo um, morre também o outro... As pessoas não entendem essas e outras coisas que me deixam profundamente entristecido. Dentre as quais, fato cá e fato lá: só existe guerra, porque existe arma. Quisera eu ou os ameríndios do oeste, que o revólver nunca fosse inventado. Quisera eu ou Einstein que o urânio nunca tivesse sido usado para alimentar a radioatividade em uma bomba nuclear. Quisera eu ou os Judeus que a intolerância nunca tivesse oportunidade de empunhar um alto calibre. Por isso clamo à cada animal humano: desarme-se. Pode-te ser alguém forte com o escudo que tens fronte à alma, mas creio que a física dos dias não tenha-lhe sido clara: escudos bloqueiam a luz! Vulnerável sou, mas enquanto viver, brilharei.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Não coma na chuva

Cuidado com sapatos verdes. Se seu relógio estiver abaixado, jogue três limões no caderno. Pegue uma panela e enterre abaixo do lustre, sob as pétalas amarelas do avião de Bill Clinton. Acrescente em si três colheres de cordas para violão-celo. O que sobrar pode pegar pra você, não vou usar. Toda escada tem passaporte, todo mercado tem saco plástico. Se ontem a noite estava fria, sinal de que formigas também cantam "My Way". Se todos os trens forem pra marte, seu cabelo cairá. Se os gnomos souberem irlandês, fodeu. Talvez uma garota passe lá pelas 11h no prédio do seu tio e você não saberá qual botão apertar. Esteja sempre atento aos cogumelos. Pássaros ainda não falam pra evitar transito hospitalar. Cachorros são melhores do que gilós, pois da janela eles entendem. Sorvete de flocos serve pra abrir gavetas quando o camundongo não souber onde deixou as chaves do ônibus. Se os ingressos estão no seu bolso, dirija-se ao poupatempo. Se o 18° à esquerda estiver de olhos abertos, bata três vezes com a cabeça na parede. Se o vidro estiver embaçado, ao mesmo tempo que o macaco Jones cantar o hino de Alemanha numa sexta-feira ímpar, quebre três galhos de pessegueira. Quando o fio de cobre voltar pra casa, compre Muffins. Depois disso, digite três para falar com um de nossos atendentes. Camelos também têm rins. Ao avistar Cabo Frio, esquente-o. Leve seus dedos ao fogo até dourar. O próximo celular que você comprar vai gostar de feijão rosa. Pés tem pulgas. Talvez seja a hora certa de voltar pra frente, sair pra dentro e subir pra baixo. CDs substituem torres. Meu primo é louro azul. Araras se arrepiam quando gotas caem. Você é mais alto que duas almas, porém mais baixo que uma só. Se todas as informações acima forem verdadeiras ou não, tanto faz. O amor é uma coisa louca. Adquira já o seu.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Supernova

A metrópole é o turbilhão da vida. Não por ventura das horas cálidas do dia, extasie-me por conta própria. Quarto andar. Janela. Bem ao fim do horizonte, avistei um helicóptero dos mais velozes à perfurar a atmosfera, rasante cheio de razão. Enquanto a imensa ave mecânica rasgava o céu, coloque-me lá. Imaginei-me voando, ali dentro daquela caixa - pesada e metálica. Naquele instante, minha janela deixou de ser no quarto andar e passou a ser livre aos ares, passou a voar! E confesso, o céu é lindo e deixa a terra mais linda ainda vista lá de cima. As pessoas aformigadas, os prédios arborizados, os carros acarrapatados. Silêncio, fluidez. A unica voz, é a de Deus. Voar é uma maravilha.

Quando em cima, avistei às flores, mínimas, porém de intensa coloração. Imaginei-me abelha. Reduzi-me em matéria, mas não em alma. Adentrei um jardim. Naquele instante, minha janela deixou de ter os grandes céus e passou a cultivar paisagens um pouco mais baixas, um tanto mais ricas. Quando se és abelha, pode-te ser pequeno, porém pode-te ser gigante! É possível fazer acontecer: polinizei copos de leite, sem derramar uma única gota de esperança.  E a natureza é fantástica, e o processo da vida é inacreditável e isso e aquilo.

Enquanto sabiamente planeava das mais nobres pétalas, na melodia das sagazes asas de abelha, espreitei o astro rei: quis-me mais, muito maior. Quis-me quente. Quis-me  luz. Quis-me. Tornei-me então Sol, convidado especial de minha história. Naquele instante, minha janela deixou de ter pequenas paisagens e passou a vigiar o espaço todo. E a vigília - para quais imaginam tédio - foi esplendorosa, com todos os esplendores que um estrela pode propiciar. Em supernova clareei o imenso vago, tal qual deserto sem areia, tal qual oceano sem água. Em supernova clareei o estômago, que em prantos clamava pelo amor da vida. Em supernova, clareei de longe dois pequenos olhos. Esses olhos mansos refletiram minha luz e se tornaram os novos sóis.

Ao deparar-me com tamanha emancipação de luz e calor, abandonei o plano de ser Sol. Quis ser qualquer coisa, qualquer coisa capaz de se locomover. Tudo o que eu queria era encontrar esses olhos. Saí correndo, com as pernas batendo a gravidade, pulando de planeta em planeta. Cá cheguei de novo. Cá virei abelha, cá virei piloto e enfim virei-me. Naquele instante, minha janela voltou ao quarto andar.

A diferença agora é que - você pode não ter sentido, mas eu estive com você.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Ingrato

Tenho profunda sede das regalias que nunca tive. 

Espreito o experimento 
de algo que não vivo, 
buscando tópico utópico 
de brio canto que jamais terei. 

Ostento da janela 
o caminhar das aves 
sob as nuvens de um céu 
que não me tens. 

Esqueço-me 
do patamar 
em que me encontro, 
alto, 
vasto, 
claro encanto, 
por conquistas 
que hoje tenho 
e que daqui 
sempre terei. 

Sou bicho homem,
ser humano
e sendo humano
o que me faço
é ambicionar
o amanhecer.