quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Astronauta


Mesmo que por nobre esteio,
a ilusão do vôo
faz de mim um falso alarde,
faz-me réu

Falso crime entristece
a criança que aqui vaga
mesmo que por nobre esteio,
o devaneio
de tocar o céu

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Contos de Draumur

Quando a gente era criança, dava pra brincar na rua. Eu nunca gostei de soltar pipa e minhas habilidades com peões eram muito limitadas, mas até arriscava ter uns Tazzos e jogar bolinhas de gude - as fubecas, em alguns estados. Tive uma breve coleção de cards, muito embora eu já fosse um pouco velho para eles, mas era bom tê-los por perto, principalmente para esnobar aquele seu colega chato, porque vocẽ tinha o card dourado e ele não, assim como se faz hoje com os celulares de última geração... Dava segurança! Jamais cheguei a completar um álbum de figurinhas, mas sempre tive os meus. Na realidade, jamais cheguei a completar qualquer página, porque em pouco tempo eles já perdiam a graça e/ou ficavam velhos, ultrapassados, tal como acontece com o Windows e o Playstation. Era então o momento certo de comprar outro.

Jogar bola, eu já joguei. Muita! Nunca fui bom, confesso, mas a turma era legal e a gente adorava. Nosso futebol era frequente, primeiramente no campinho de barro, na rua de baixo. E acredite, era de barro mesmo. E depois, com a evolução do vilarejo, era na enorme quadra coberta da escola - que contava com um piso de concreto resinado e traves de verdade, nada de madeira ou pau. E as redes no gol... tão práticas! Era lá que o futebol arte acontecia. Mas o amor pela bola foi se transferindo gradativamente para as garotas, que amadureceram rápido, muito rápido, poxa. A pressão era grande.

Mas o que eu gostava mesmo, era do guaraná Brahma. Tão gasoso e doce que fazia qualquer um sentar e saborear gole por gole. Nunca me esqueço do dia em que o a Dora, dona do bar na esquina, nos deu uma garrafa do Brahma de graça. De graça! Dá pra acreditar? Claro que éramos uns 20 moleques, todos sedentos depois do longo esporte, e a garrafa, coitada, não durou 1 minuto. Mas nossos pequenos e repartidos goles eram intensos e a felicidade foi enorme. Mas um dia a fabricação do Brahma acabou. Opção da fábrica que privilegiara então, apenas a cerveja. Eu até gosto de cerveja. Evoluí?

Pelo menos, minha turminha atual não liga mais pro Brahma. Nem pra Cards ou fubeca; Muito pouco, se discute o futebol. Agora a bebida evoluiu – como tudo que “evolui” - para a Vodka! É batida de pêssego com Vodka, Coca-Cola com Vodka, Internet com Vodka, automóveis com Vodka e até Vodka com Vodka! Eu não suporto. Prefiro Vit’s Limão ou suco de maracujá, natural. Vai ver eu fiquei, pra trás... vai ver, todos evoluíram.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Pseudo-parte III - Quando nós éramos reis

Lá na lua, onde morei, não tinha eletricidade. Mas, - claro! - também não havia nada escuro: ninguém podia dizer que não existia luz. Muito menos se dizia que faltava energia! Em uma pequena província lunar, no território Draumur, fui-me rei. Todos éramos. Quando se vive na lua, és rei por essência. Tens o poder. No planeta Terra, ou como visto, o planeta dos olhos de sangue, a definição de poder é um tanto tortuosa, fria. Gélida, pra dizer a verdade. Na lua, poder é uma coisa quente, mesmo quando nosso corpo celeste encontra-se distante do sol. Mas a questão aqui era a luz: veio o homem branco e trouxe a luz artificial. Ou pelo menos tentou, mas a física não permitia e a queda de energia era constante. Então eles foram embora.

Quando a luz acabava, era hora de alegria. A estrela vizinha, enorme, iluminava um miúdo coração e, por conta dela, figuras nas crateras eram desenhadas. Quando a luz acabava, o céu estava pronto para o show: Os cometas, vívidos, brincavam de ser refletores e a lua, portanto, tinha o poder de brilhar mais do que o sol! Os homens apenas usavam o termo 'a luz acabou', quando na realidade esse era o exato momento em que ela começava.

Hoje não sou rei. Sou homem. Portanto, dono de um poder gélido ou ao menos, obrigado a buscá-lo. Quando falta-me luz falsa, é como se faltasse-me luz de alma. Sinto-me mal. Sinto-me escuro. Sinto falta de vida. Sinto falta de casa. Quero voltar a ser rei, lá em Draumur. Porque lá, não temos mais poder do que ninguém e nem sequer o queremos ter. Lá, nosso poder é quente, vitalício e comum à todos!

***

Quando nós éramos reis, puxávamos tudo da tomada. Os homens pensavam que era a física, mas na realidade éramos nós quem eliminávamos a falsa luz. Hei-me-de ser rei novamente! Devolvo-te, humanidade, os olhos de sangue que jamais me serviram.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Quase parte II - E o que vem depois?

Eu fui. Vi de perto. Era uma mistura de 'sorrisos-máscara' com um pout-pourri 'lamento/vazio/fracasso'. Não sou ator, todos sabem. Não sei representar direito nem o que de fato sinto intrínseco por dentro de mim, pior ainda me é demonstrar o que não me cabe! Ainda mais com uma platéia tão grande e cativa, que em realidade apesar de estarem todos ali à me olhar, ninguém podia me ver. Dizem que, quando o som ecoa como foguetes, batendo e voltando por todas as paredes, as pessoas se sentem libertas e por tal agem como agem. Dizem que são capazes de sair de seus estados, de viajar, de ser o que querem ser. Mas não sou assim. Não quero ser nada mais, quero ser o que sou. Quando o hora tarda e as anomalias surgem, não apenas nunca saio de mim, como contrario aos atos, entro-me. Aprofundo-me. Escondo-me em mim. E não preciso que ninguém me diga que sou louco, não preciso que ninguém me diga que estou errado. É fácil notar que há algo incomum comigo, quando você percebe que todas as demais pessoas do mundo não são como sou. Por tal, sinto-me vazio nalgumas vezes. Por outras, tenho-me vergonha. Sei que não sou desse mundo. Sei que sou de longe, nos confins do que existe ou do que não existe. Tanto faz o teor de existência do que sou, venho dos confins e esse é o fato. Mas acredite: busco respostas. Ciento-me que há-me grande parcela de auto-psicanálise mal resolvida e trabalhando nisso, dedico horas dos meus planos a vagar em horizontes, procurando por mim. Às vezes, o corpo se fecha para balanço e - leia o que diz o aviso! - minha senhora, meu senhor, desculpe-me pelo transtorno, mas estou em reforma para melhor atendê-lo. Sei que vou achar o caminho de casa, mas nesse processo, temo que descobertas vivas podem confundir a lógica que, muito francamente, quase nunca tem lógica. Ou talvez eu, que sempre fui crido de ser uma pessoa extremamente lógica, na realidade criei minha própria lógica e por isso sou o único que a defendeu em todos esses anos. Lendo Frankenstein você percebe que muitas vezes apenas o criador pode compreender totalmente a criatura. Ou mais digo, nem o criador que sou compreende por completo o bicho que criei... * ...Na ocasião, ao meu redor, notei o monstro. Era como se eu estivesse em baixo da cama, junto dele. Nessa aventura, lado ao pó e ao lanche abandonado, encontrei algumas respostas. O pobre monstro - tadinho, tadinho! - é um ser mal compreendido. Mal resolvido. É feio, mas é bom. Pena que ninguém o enxerga. Eu mesmo sempre tive medo de por os pés no chão, acreditava que o monstro ia me pegar um dia. Mas ele não quer me pegar, ele quer se esconder de mim! Monstro de baixo da cama, aqui vai uma mensagem pra você: "não o temo. Compreendo-o. Vamos sair qualquer dia desses, tomar um açaí?!" Seria mesmo muito legal trazer esse monstro para o meu mundo. Eu ganharia alguma companhia a mais, algumas horas de diversão. Porque nesse outro mundo o qual sou obrigado a viver, às vezes, no palco, consigo me sentir completo, graças àquela artista de bem! Mas, sinto: consigo ser-me certo apenas quando as cortinas estão fechadas. Ao início do primeiro ato, sinto que ser-me não basta... Nesse mundo de cães e gatos, ser-te nunca basta! É preciso ser-se além! Você pode? Eu não posso. Sou. Apenas. Sou. E quer saber o que me chateia neste campo de gafanhotos enfurecidos? Sou formiga.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Breve parte I - Do nada ao lugar nenhum!

Eu sou meio Geek, aliás estou estudando pra isso. Vai ser legal, vou ter meu diploma de Geek, entregue das mãos de um Super-Geek, assinado pelos mais consagrados Geeks da região. Gosto de músicas deprê de caráter pseudo-crítico e introspectivo, que vasculham nos interiores, respostas pro exteriores. Músicas assim são um tanto raras... Quantos músicos se preocupam com as relações 'pessoa/universo' e 'eu/eu' ao mesmo tempo? A grande maioria de músicas que circulam por aí afora se propõem apenas falar das vagas relações de boys e girls, o que muitas vezes se torna chato, vazio e extremamente midiático. Não estou dizendo que sou contra canções sobre boys e girls, apenas acho que para fê-las de modo a não parecer-me piegas ou desnecessárias, tem que ser realmente um músico da linha mais TOP-FODA, compreende? Dos Gilmours ao avante! No entanto, mesmo com a seca de boa música que vivemos, graças a essa coisa de globalização e tudo mais, posso contar com uma base bem sólida de cerca de 40 Giga Bytes só de músicas deprê de caráter pseudo-crítico e introspectivo, que vasculham nos interiores, respostas pro exteriores. Enfim, o que eu realmente queria dizer é que eu não tenho a menor ideia do que estou dizendo. Talvez esse texto seja puramente uma abstinência de açaí. Uma crise. Pura mente. Pura. Mente. Sou viciado em Açaí. Você pode me oferecer um pouco a qualquer hora do dia ou - indo além - da existencia; Não surpreenda-se se eu aceitar e devorar em segundos. É da minha natureza, uma natureza puramente açaítica. Acho que eu bem poderia até ser um índiozinho da amazônia, se não por ventura dos anjos tivesse-me nascido por essas bandas cheias de prédios, carros e mais prédios. E computadores! Tais como este que vos escrevo. Aliás, estou estudando pra ser Geek, já disse isso? Talvez faltou-me dizer, mas vou ser um geekólogo.