quinta-feira, 24 de junho de 2010

Dr.


- Essa semana, observando um grilo, fiz uma descoberta.
- E o que você descobriu?
- Que os homens são vazios. Precisam preencher-se. Alguns deles ouvem música. Outros fazem. Mas a grande maioria deles, mesmo ouvindo ou fazendo a música, continuam a encher-se de vazio.
- E como você se sente quanto à isso?
- Vazio.
- Grande descoberta, vejo que estamos fazendo grandes progressos.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Trilho Seco



Hoje, estou triste por um mundo que chora em poucas palavras abreviadas. No trem, milhões de pessoas todos os dias... tão vazias de alma, mas cheias de um orgulho inválido por seus aparelhos celulares. Louco, – exclama um normal – todo aquele que não tem fios por sair das orelhas! Normais, são aqueles cujas falas soltam-se em um imensurável e complexo ar. São aqueles que insistem em conversar sozinhos, mesmo estando rodeados de outros seres humanos tão vazios quanto eles. No olhar desses normais, busca-se algum pingo de vida. Mas eles seguem a envidraçar a íris, que chora, desesperada, aprisionada por trás das vitrines. Hoje, estou triste por crianças que aprendem a se abrigar em casas sem telhado. Crianças que já não descobrem a vida humana, mas  tão cedo vêem-se tomadas por toda a sujeira dela.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Híbrido



Minha mente sempre intriga,
o "de onde vim, pra onde vou".
Talvez aqui respondo-me
pouco do híbrido que sou:

Não saber dizer se é falso
nem sempre implica realidade!
Pois, sei, não sou total mentira,
mas como ser, em parte, verdade?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Estrela


Como é possível, para um homem - tão cheio de nada - tocar cada centímetro do céu, nunca deixando seu solo? Eu via nos olhos dele, as marcas do tempo... Nunca imaginei que alguém pode-se realmente voltar ao passado e alterar o presente, mas ele conseguia apenas com seu olhar severo.Ninguém o avisou que traze-la de volta seria impossível e, por tal, ele fez. E lá estava ela, brilhando novamente. Ele fez da rotação um retrocesso, ele fez do ontem um hoje. Ele voltou a respirar, quando deu respiro à ela. E lá estava-a, a brilhar novamente no céu.


Ele é o caçador das fugitivas estrelas pessoais. Quando uma luz se apaga, nós humanos vemos a escuridão como um passaporte sem volta. Temos o péssimo hábito de pensar que a sombra é eterna quando vem. Mas ele faz da sombra, luz. Ele recupera estrelas mortas. Ele acredita que é possível e, portanto, faz.


Mas como pode para um homem - tão vazio de tudo - voar, sem asas? Só se ele não sabe que é impossível... só assim para arriscar e conseguir.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Metrô (música)

6 Bilhões de solitários
Escondendo-se atrás dos muros
Comentando os salários
Do seu carrão ao meu transporte público.

Pagamento pra andar,
Eu sou livre dentro dessa cela
Somos livres pra comprar
Mas liberdade nunca vai pra tela.

Você tenta matar tempo,
Mas é o tempo que te faz escravo.
Teu refúgio é um templo
Que te salva por um preço pago.

Velocidade pra matar...
Colado ao chão não vai voar!
E apenas haverá a luz
Quando o túnel acabar.

Vivendo o ontem por favor
Ganhando pouco pela dor,
Tudo o que eu quero agora
É sair desse metrô.