quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Cargueiro



O coração
aquecia-te
que aquecia-me,
veemente.

A milha
separa-me-de-ti.
A milha mente...

O trem
carrega-me
que carrego-te,
eternamente.

terça-feira, 30 de junho de 2009

A 13° Avenida

O sonho acabou, enquanto berra pelos ponteiros o despertador. São 5 horas. A vida, que atrasou-se desde o princípio, parecia ainda mais atrasada hoje - refletia ele, vestindo o terno. O café da madrugada acordou o estômago, que está de ressaca a meses. A comida - amarga e plástica - parece se acomodar em um espaço que mesmo cheio permanece fendado. São as marcas do trabalho.

A condução atrasa, conduzindo homens à fúria. São 6 horas. No metrô, 3 milhões de pessoas cortam o estado. 3 milhões de olhares vagos, direcionados as negras janelas vazias. 3 milhões de pessoas, sozinhas - refletia ele, lendo o jornal. Na leitura, o espelho da morte de ontem.

Num trecho sob o céu, uma vida nua sobre o chão. São 7 horas. Outros homens, vestidos, andam pisando com os dois pés ao mesmo tempo, de tanta pressa - refletia ele, enquanto corria como cúmplice. Em meio a velocidade, tal como os demais seres, também ignorou o transuente que dormia sobre o que não tinha. Por que dormir no meio da calçada? - chegou a sussurrar um insolente à outro. Certamente se o perdido tivesse casa, dormiria nela.

O trabalho, sagrado gerador do pão nosso que sempre pertenceu á eles, está a uma quadra dali, na avenida 13. Ao chegar, o pobre empurrava a porta, o sistema empurrava o pobre e ninguém (todos) empurrava(m) o sistema. Filho dessa engrenagem, demissão!

Lá estava ele, encarando o retrato real, de cara para a 13ª avenida de sua vida.

- Utopie-se!