domingo, 7 de junho de 2015

Voraz Veroz

O que buscamos, hoje sei, é a voracidade do tempo: quando o coração descompassado nos faz desoxigenar a lógica, perder a física, flutuar pelo céu sobre mundano que há em nós. Quando o pensamento descompensado nos invadir um mundo sem gravidade. Buscamos aquele ponto em que 10 horas viram 10 minutos. Buscamos não perceber que a barba cresceu falhada por sobre as cicatrizes; chegar na manhã seguinte como se não tivéssemos atravessado a noite. Às vezes – estranho – buscamos viver dois invernos e nenhum verão. Nesse ponto, ponteiros nem existem, simplesmente. Não é que nos esquecemos deles: eles de fato não existem. E isso é o que buscamos. Queremos em cada suspiro, um caminhão de ar, para que a expiração seja lenta, para que a respiração se perca na imensidão da atmosfera, antes do segundo virar. Buscamos ficar horas sem piscar, para não perdermos nada, como se o víssemos o mundo em slow motion. Buscamos um olhar perdurante, um abraço insistente, uma saudade simplesmente infinita. Infinito... O queremos em absoluto. E a melhor forma que existe para perdermos o medo do fim, é perder a noção do meio, perder a noção do início, perder a noção do tempo. Sim, nos perder na vastidão oceânica da linha do tempo, tênue entre o sonho e o mundo. São esses momentos metafisicamente irreais dos quais nos lembraremos com nosso maior vigor. E quem será capaz de provar que esse paralelismo não existiu? Ninguém.

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