quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Aurora Distante

Queria que a noite me dissolvesse,
ao menos a parte que não adormece,
pra numa manhã de um dia desses
não acordar com o que me padece.

Queria que a lua amortecesse
o pesadelo que não envelhece.
Que a cada dia eu o esquecesse 
em meio aos sonhos que ela guarnece.

Queria que o dia, enfim, terminasse:
- Que cedo ou tarde o mesmo cesse!
Mas, mesmo se o sol anoitecesse,
é o pensamento que me escurece.

Queria que o céu se acendesse
e de hora pr'outra, a luz trouxesse.
Que o amanhã transparecesse
um novo céu que me obedece.

Queria que a dia me amortecesse.
Queria que a lua me acendesse.
Queria que o céu me dissolvesse.
Queria que a noite, emfim, terminasse.

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