quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Rosto


Esta estrada é agora a minha única amiga. Ela me acolhe em suas retas e curvas. Mas não importa quanto tempo eu fique e trafegue, ela nunca saberá o meu nome. E eu estou muito longe de casa agora. 

O calor já não tocara mais minhas costas e todas aquelas coloridas nuvens no céu voltaram a ser negras. Nenhuma dessas pessoas que vi permaneciam com a mesma aparência de ontem e ninguém aqui sabe o meu nome. Ah, eu estou muito longe de casa agora. Sim, eu estou muito longe de casa.

Nesta carta, em cada sílaba ou cada centímetro de papel, espero despejar um pouco do que me condenas. Desejo me livrar desses pensamentos confusos que abraçaram minha noite inteira. Você não precisa saber o meu nome, nem de onde vim, nem pra onde vou. Mas saiba que estou muito longe de casa agora.

Retomei a estrada, mesmo que ainda sem destino. Apenas sigo um fluxo de carros loucos presos ao chão, todos eles contrastando-se com a pintura criada pelo fluxo de ideias loucas soltas pelo ar. Dentre tais devaneios, sempre há o mesmo rosto que me vaga, me interpela, me extrapola, me invade. Pensava ter deixado essa imagem no meu quarto, mas ela esta aqui comigo, por mais que eu esteja muito longe de casa agora. E é bem provável que ela saiba o meu nome.

Talvez eu devesse voltar. Talvez eu devesse perguntá-la. Qual é o meu nome, afinal? Por enquanto, ilusão.

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