segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Bumerangue


Estava na casa dos meus 8 ou 9 anos. Calcei minhas chuteiras, peguei minha bola e sai de casa. Mesmo tampinha, me sentia sempre como Zé Geraldo em Reciclagem, enquanto posturava o trinco do portão, fechando-o. Pois bem, marquei minha rota para a rua de baixo, onde lá decerto estaria toda a minha turminha num campinho de barro, este que no entanto para nós, era como uma luxuosa arena poli-esportiva. No traçado das ruas de meu vilarejo, para alcançar a esperada rua de baixo, era necessário fazer uma curva bastante acentuada, quase como numa rotatória. Naquele dia, sentado exatamente por ali no ápice da parábola um senhor magro e barbado, com olhar severo sobre todas as coisas do mundo. Ao observar meu movimento sinuoso, numa voz rouca e de baixo alcance o moribundo despeja sobre mim suas palavras: "A vida é como um bumerangue".


Hoje entendi.

Nenhum comentário:

Postar um comentário