terça-feira, 25 de outubro de 2011

Entre o Escudo e a Espada

Sempre imaginei que minha alma fosse um bem precioso, que precisasse de cuidados extras. Pensava que era necessário proteger-me dos monstros, dos dias frios, dos assaltantes, dos hackers. Busquei no além, maneiras de esconder-me, atrás das paredes, atrás de minha própria sombra, seguindo-me. Instalei à minha frente um dispositivo de defesa, comprei novos cadeados, chaves, fechaduras... troquei os portões inclusive. Vaguei meus olhos sobre as turvas águas da chuva na cidade grande e visitei a idade média: descobri que eficientes mesmos eram as armaduras gladiais. Comprei um escudo.  Duro, robusto, completo em ouro e madeira, este que porfiara, aguentara durante bastante tempo, resistindo batalhas e muralhas. Inibiu ataques de bispos e peões, torres e cavalos, reis e rainhas. E o fogo que jorrava na madeira, acabava apagando-se simetricamente no vão entre as palavras e os silêncios... como se silêncio fosse mais do que um.

O fato é que hoje dei-me conta de que, por mais que tenha sido útil por um tempo, na realidade essa foi uma aquisição desnecessária: o único escudo pra minha alma, sou eu.

Um comentário:

  1. Vinícius, texto fenomenal!!!

    Entre as palavras e OS silêncios, conversamos depois. Se for possível.

    Muito bom. Muito bom mesmo! Parabéns!

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