segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cais

Inverno,
Descanso das sementes.

Há-me
monstros latentes
asa em serpentes
consumindo
a bordas do cais.

Prende-se em meu corpo
tal como fosse porto,
dois navios a beira-mar:

O menor monstro
fome tem
e se alimenta
em cada mágoa.

O maior monstro
sede tem
e necessita
tua água.

Nas mágoas da estação
- amargas!
pequeno barco virou

Ás águas do teu mar
- salgadas!
grande barco zarpou

E se meu cais tivesse céu
tal como teve noutro dia
em outro inverno, em outro inferno
punha às asas das serpentes
em meus dois monstros latentes
velho poder que já perdi

acredito friamente
em uma estação quente
voltando a se instalar

um dia desses
ao olhares pra lua
notarás em tua retina
dois navios a flutuar.

a conquista
do meu sonho
não termina
quando morre
uma asa
em minhas costas

há reserva
nos galpões
dos dois monstros
que crio
em realidades
opostas

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